
2011 COMPRAR
Clave Bantu

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License.
excepto "O Céu da Tua Boca" (letra de José Eduardo Agualusa) e "Amanheceu" (letra de Ondjaki)
Jose Manuel Díaz
Jose Manuel Díaz (Contrabaixo)
Carlos Freire (Bateria e percussão)
Rúben da Luz (Trombone em "Oriente")
Sérgio Tannus (Guitarra em "Rascunhos")

Clave Bantu

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License.
músicas e letras
Aline Frazão excepto "O Céu da Tua Boca" (letra de José Eduardo Agualusa) e "Amanheceu" (letra de Ondjaki)
arranjos
Aline FrazãoJose Manuel Díaz
músicos
Aline Frazão (Guitarra e Voz)Jose Manuel Díaz (Contrabaixo)
Carlos Freire (Bateria e percussão)
Rúben da Luz (Trombone em "Oriente")
Sérgio Tannus (Guitarra em "Rascunhos")
estúdio
Gravado e misturado por Tomás Ageitos (Santiago de Compostela). Gravação adicional nos estúdios da Big Bit (Lisboa).fotografia de capa
Dinis Santoscabeleireiro
António Quinteladesign website
not-wolf.comprogramação website
Eduardo Bettencourttradução ao inglês
Alfonso Barata
SOBRE O DISCO
Clave Bantu foi escrito sobre a rota Luanda-Lisboa-Barcelona-Madrid-Santiago. Mas a estória de "Clave Bantu" começa muito antes do voo dos pássaros: começa na raiz dessa árvore, raiz enterrada na terra vermelha de Angola. Ali começou a travessia, começou o som desta clave e começou um voo que tem o grande oceano como asa. A música de Clave Bantu nasce feito árvore, do vai-vem histórico das claves africanas, dos seus batuques e cânticos mais sagrados que cruzaram oceanos e renasceram noutras latitudes - do Brasil a Cuba. Nas suas folhas, a sapiência de um povo: o tempo lento, o calor dos corpos, o caminho de volta. Na madeira dessa pele, as marcas inequívocas do tempo, sinais assumidos de vida, cicatrizes da viagem. Clave Bantu é o resultado de muitas trocas ao longo da história, ao longo da minha estória. Clave Bantu é talvez o começo da estória.
Clave Bantu foi escrito sobre a rota Luanda-Lisboa-Barcelona-Madrid-Santiago. Mas a estória de "Clave Bantu" começa muito antes do voo dos pássaros: começa na raiz dessa árvore, raiz enterrada na terra vermelha de Angola. Ali começou a travessia, começou o som desta clave e começou um voo que tem o grande oceano como asa. A música de Clave Bantu nasce feito árvore, do vai-vem histórico das claves africanas, dos seus batuques e cânticos mais sagrados que cruzaram oceanos e renasceram noutras latitudes - do Brasil a Cuba. Nas suas folhas, a sapiência de um povo: o tempo lento, o calor dos corpos, o caminho de volta. Na madeira dessa pele, as marcas inequívocas do tempo, sinais assumidos de vida, cicatrizes da viagem. Clave Bantu é o resultado de muitas trocas ao longo da história, ao longo da minha estória. Clave Bantu é talvez o começo da estória.
AGRADEDECIMENTOS
Esta produção independente dependeu directamente da colaboração, do trabalho, dos conselhos, do carinho e da implicação de muita gente importante para nós. A todas essas pessoas que fizeram com que soasse esta "Clave Bantu", a vocês os nossos agradecimentos mais especiais e verdadeiros. Ler mais.
FAIXAS
1. Assinatura de Sal ---------------------------------------- letra e música: Aline Frazão
Soa no ar uma melodia
E já posso sentir na pela a maresia
Deixar sua assinatura de sal
Na cara como uma pintura de cal
Abrindo a janela, o frio a memória esqueceu
No momento em que o peito apertado escreveu
No vidro gelado a vapor
Uma frase perdida de amor
Eu juro
Que posso ouvir daqui
A espuma da onda dengosa
Que enrola na areia antes de adormecer
Juro que posso ouvir daqui
O som do gingado que faz
A Kianda seria no mar
Até o amanhecer...
Mesmo aqui, estando o mar tão longe de mim
Eu escrevo o meu nome assim
Aqui conchas, búzios, gaivotas – não tem
Barco atracado na areia – não tem
Camarão dormindo na onda – não tem
Ritual sagrado pr'os deuses – não tem
Cruzeiro do sul
Seis da tarde do sol no azul
Só sei que no chão ficou
Escrito como um sinal
Na mão bastou
Um punhado de sal
2. Oriente ------------------------------------------------------
letra e música: Aline Frazão
participação especial: Rúben da Luz (trombone)
A oriente sábia gente diz que é circular
O nosso caminhar a cada dia
O trajecto da estrela guia
Morre e nasce outra vez
Se repete outra vez
Morre e nasce outra vez
Na minha mente o presente é mostra singular
Pegada vaga do que foi
Quando a areia desse tempo vão
Era ainda um castelo e não
Relógio partido no chão
Girou mais um dia, mais um ano
E meço a passos o equador
Buscando o teu meridiano
Pra me encontrar no teu país
Improvável sina de cigano
Que roda buscando a raiz
A casa, o chão, o tecto, o espelho
O amigo e o umbigo
A origem dessa linha
Fronteira tão sozinha
Distância absurda
Solidão sem fim
Solidão sem ti, sem mim
Olho-te sempre quando quero me orientar
E cada noite se faz dia em ti
No mesmo lugar
Quem dera um dia eu pudesse
Quem dera eu
A oriente despertar depois do breu
Quem dera eu
No revés do tempo e do céu
participação especial: Rúben da Luz (trombone)
A oriente sábia gente diz que é circular
O nosso caminhar a cada dia
O trajecto da estrela guia
Morre e nasce outra vez
Se repete outra vez
Morre e nasce outra vez
Na minha mente o presente é mostra singular
Pegada vaga do que foi
Quando a areia desse tempo vão
Era ainda um castelo e não
Relógio partido no chão
Girou mais um dia, mais um ano
E meço a passos o equador
Buscando o teu meridiano
Pra me encontrar no teu país
Improvável sina de cigano
Que roda buscando a raiz
A casa, o chão, o tecto, o espelho
O amigo e o umbigo
A origem dessa linha
Fronteira tão sozinha
Distância absurda
Solidão sem fim
Solidão sem ti, sem mim
Olho-te sempre quando quero me orientar
E cada noite se faz dia em ti
No mesmo lugar
Quem dera um dia eu pudesse
Quem dera eu
A oriente despertar depois do breu
Quem dera eu
No revés do tempo e do céu
3. Clave Bantu -----------------------------------------------
letra e música: Aline Frazão
Saio e danço
A Clave Bantu tatuada à volta da cintura
E enquanto dura o balanço
Eu vou e danço
Se não posso
Buscar a estória debaixo da sombra do imbondeiro
O kurandeiro conto
Ponta e raiz
Saio e danço
Mesmo se não posso ganhar ao tempo nem um triz
Nem um trago dessa seiva
Esse jogo ponteiro-ponto
Nas veias do imbondeiro o conto
Viageiro rodando tonto
Sabor esquisito
Relógio maldito
Perco o passo
Mas logologo me entranço no fio da estória
E o balanço vence o cansaço
De não saber o fim do enredo
Sem o medo do não
Se não posso
Sabê-lo eu, nem mesmo tu
Só mesmo a ancestral Clave Bantu
Sabe o acorde que vem
E o passo que vai desenhar nesse vermelho chão
Saio e danço
A Clave Bantu tatuada à volta da cintura
E enquanto dura o balanço
Eu vou e danço
Se não posso
Buscar a estória debaixo da sombra do imbondeiro
O kurandeiro conto
Ponta e raiz
Saio e danço
Mesmo se não posso ganhar ao tempo nem um triz
Nem um trago dessa seiva
Esse jogo ponteiro-ponto
Nas veias do imbondeiro o conto
Viageiro rodando tonto
Sabor esquisito
Relógio maldito
Perco o passo
Mas logologo me entranço no fio da estória
E o balanço vence o cansaço
De não saber o fim do enredo
Sem o medo do não
Se não posso
Sabê-lo eu, nem mesmo tu
Só mesmo a ancestral Clave Bantu
Sabe o acorde que vem
E o passo que vai desenhar nesse vermelho chão
4. O que ela quer --------------------------------------------
letra e música: Aline Frazão
Não quero o teu um dia
Não quero o teu talvez
Não quero mãos vazias
Não quero o que prevês
Não quero outro segredo
Não quero duvidar
Não quero mais ter medo
Não quero adiar
Não quero estar sozinha
Não quero me esconder
Não quero outro caminho
Não quero não saber
Não quero a tua saudade
Não quero que me importe
Não quero só metade
Não quero crer na sorte
Não quero o teu desejo
Não quero mais lembrar
Não quero poesia
Não quero esperar
Não quero a tua culpa
Não quero o teu silêncio
Não quero mais desculpas
Não quero o teu avesso
Não quero o teu consolo
Não quero o teu conselho
Não quero outro desgosto
Não quero estar no meio
Não quero água no rosto
Não quero querer mais
Não quero que me entendas
Não quero um nunca mais
Não quero uma ilusão
Não quero o que me dás
Não quero abrir mão
Não quero que te vás
Não quero o teu um dia
Não quero o teu talvez
Não quero mãos vazias
Não quero o que prevês
Não quero outro segredo
Não quero duvidar
Não quero mais ter medo
Não quero adiar
Não quero estar sozinha
Não quero me esconder
Não quero outro caminho
Não quero não saber
Não quero a tua saudade
Não quero que me importe
Não quero só metade
Não quero crer na sorte
Não quero o teu desejo
Não quero mais lembrar
Não quero poesia
Não quero esperar
Não quero a tua culpa
Não quero o teu silêncio
Não quero mais desculpas
Não quero o teu avesso
Não quero o teu consolo
Não quero o teu conselho
Não quero outro desgosto
Não quero estar no meio
Não quero água no rosto
Não quero querer mais
Não quero que me entendas
Não quero um nunca mais
Não quero uma ilusão
Não quero o que me dás
Não quero abrir mão
Não quero que te vás
5. Caminho do Sul ------------------------------------------
letra e música: Aline Frazão
Pela cidade girou, girou dias sem parar
Apontando o caminho do sul p'ra gente voltar
Pela cidade a sua voz soou, dias sem parar
E para quem não escutou o mundo ia se acabar
A multidão se afoga no caos da selva de vidro tocando o céu
E nada mais é como antes
O saber se acumula em estantes
E não sai à rua
A escravidão muda a cor da pintura mas não desapareceu
Já nada mais é como antes
A vida se joga em instantes
Ninguém vê a lua
Equilibrando na cabeça a bacia de fruta
O filho dorme abraçado pelo pano do Congo
Da tua boca o canto que ele vai saber escutar
Cantos que vêm dos cantos do norte, em kikongo
Segue o teu corpo vertical na sua perfeição
Segue o teu passo e com ele o rumo de uma nação
Quisera deus ter teu poder
Quantos mundos cabem na tua mão
Vem nos dizer onde está o sul
A mulher pisava o chão caminhando e fixando o sul com o olhar
O ruído ficou pra trás
Hoje um novo tempo ela faz
Desde o seu umbigo
Os homens viram então que um passo atrás também pode ser avançar
E nada mais é como antes
O saber saiu das estantes
E ganhou a rua
Pela cidade girou, girou dias sem parar
Apontando o caminho do sul p'ra gente voltar
Pela cidade a sua voz soou, dias sem parar
E para quem não escutou o mundo ia se acabar
A multidão se afoga no caos da selva de vidro tocando o céu
E nada mais é como antes
O saber se acumula em estantes
E não sai à rua
A escravidão muda a cor da pintura mas não desapareceu
Já nada mais é como antes
A vida se joga em instantes
Ninguém vê a lua
Equilibrando na cabeça a bacia de fruta
O filho dorme abraçado pelo pano do Congo
Da tua boca o canto que ele vai saber escutar
Cantos que vêm dos cantos do norte, em kikongo
Segue o teu corpo vertical na sua perfeição
Segue o teu passo e com ele o rumo de uma nação
Quisera deus ter teu poder
Quantos mundos cabem na tua mão
Vem nos dizer onde está o sul
A mulher pisava o chão caminhando e fixando o sul com o olhar
O ruído ficou pra trás
Hoje um novo tempo ela faz
Desde o seu umbigo
Os homens viram então que um passo atrás também pode ser avançar
E nada mais é como antes
O saber saiu das estantes
E ganhou a rua
6. O Céu da tua Boca ---------------------------------------
letra: José Eduardo Agualusa
música: Aline Frazão
Morrer no céu da tua boca,
estrela rasgando a noite,
água-viva, assombro, açoite.
Madrugada, acordar rouca,
A pele em fogo, o sangue
em convulsão. Lenta e langue,
meio à deriva, meio louca,
dançar nua na varanda,
vendo nascer em Luanda
a fina chama, tão pouca
de um dia em construção.
Tomar enfim a decisão:
Viver no céu da tua boca
Sol salvando a manhã,
bikini, praia, ray-ban.
Passar a vida inteira sem roupa
Varandando assim à toa
Ave vem e ave voa
Morena, moura, barroca
Dançando feito uma louca
Na manhã da tua boca.
música: Aline Frazão
Morrer no céu da tua boca,
estrela rasgando a noite,
água-viva, assombro, açoite.
Madrugada, acordar rouca,
A pele em fogo, o sangue
em convulsão. Lenta e langue,
meio à deriva, meio louca,
dançar nua na varanda,
vendo nascer em Luanda
a fina chama, tão pouca
de um dia em construção.
Tomar enfim a decisão:
Viver no céu da tua boca
Sol salvando a manhã,
bikini, praia, ray-ban.
Passar a vida inteira sem roupa
Varandando assim à toa
Ave vem e ave voa
Morena, moura, barroca
Dançando feito uma louca
Na manhã da tua boca.
7. Primeiro Mundo -----------------------------------------
letra e música: Aline Frazão
Eu não sei porquê
Hum incêndio dentro de cada janela e se vê
Eu não sei porquê
Este incêndio que arde dentro
Come o corpo todo e a gente finge que não vê
Mas por dentro arde,
como não vai arder?
Se na minha terra não tem pra comer
Já quase creio que não tenho o direito de ser alguém
E por isso arde
Ter de dizer adeus
Sem saber se o deserto me vai vencer
Juntar os últimos sonhos com a roupa do corpo
Partir por mim e pelos meus
E afinal... tem que haver algum deus.
Eu não sei porquê
Hum incêndio dentro de cada janela e se vê
Eu não sei porquê
Este incêndio que arde dentro
Come o corpo todo e a gente finge que não vê
Mas por dentro arde, como não vai arder?
Se chegando no primeiro mundo
me sinto mais esquecido do que era no segundo
Arde o carimbo de ilegal
Preconceito racial
Só por ter nascido mais ao sul
Xê, gente do primeiro mundo
Pais da civilização
Por não ter um papel acabei numa prisão
Xê gente da terra inteira
Queima o fogo da desilusão
Este primeiro mundo só de brincadeira
Tens que entender
Que não há diferença entre nós
É a mesma essência
E se a minha liberdade não existe
A tua é só aparência
Eu não sei porquê
Hum incêndio dentro de cada janela e se vê
Eu não sei porquê
Este incêndio que arde dentro
Come o corpo todo e a gente finge que não vê
Mas por dentro arde,
como não vai arder?
Se na minha terra não tem pra comer
Já quase creio que não tenho o direito de ser alguém
E por isso arde
Ter de dizer adeus
Sem saber se o deserto me vai vencer
Juntar os últimos sonhos com a roupa do corpo
Partir por mim e pelos meus
E afinal... tem que haver algum deus.
Eu não sei porquê
Hum incêndio dentro de cada janela e se vê
Eu não sei porquê
Este incêndio que arde dentro
Come o corpo todo e a gente finge que não vê
Mas por dentro arde, como não vai arder?
Se chegando no primeiro mundo
me sinto mais esquecido do que era no segundo
Arde o carimbo de ilegal
Preconceito racial
Só por ter nascido mais ao sul
Xê, gente do primeiro mundo
Pais da civilização
Por não ter um papel acabei numa prisão
Xê gente da terra inteira
Queima o fogo da desilusão
Este primeiro mundo só de brincadeira
Tens que entender
Que não há diferença entre nós
É a mesma essência
E se a minha liberdade não existe
A tua é só aparência
8. Rascunhos ------------------------------------------------
letra e música: Aline Frazão
participação especial: Sérgio Tannus (guitarra)
Mais uma madrugada de incenso e silêncio
Paredes vazias, o eco na sala
Páginas vazias, o ego que cala
Casa desarrumada, o som das cordas sós
Poeira nas molduras
Memórias turvas de nós
A dúvida agora era uma dor que arde
Como vela frágil iluminando rascunhos de amor
O corpo feito estátua de gelo
Como as conversas banais
Para sempre afinal era demais
Quem sabe um dia
Ou nunca mais
Mais outro fim de tarde cinzento ao relento
A alma vazia, o amor já não chega
É uma casa vazia onde mais ninguém entra
Não, nem o passado me dá chão
E muitas mais madrugadas virão
Seca a fonte da esperança de mais uma dança
Amor, assim te deixo
Apago o incenso, tranco a porta
A frase fecho e não mais mexo
No que não sei responder
participação especial: Sérgio Tannus (guitarra)
Mais uma madrugada de incenso e silêncio
Paredes vazias, o eco na sala
Páginas vazias, o ego que cala
Casa desarrumada, o som das cordas sós
Poeira nas molduras
Memórias turvas de nós
A dúvida agora era uma dor que arde
Como vela frágil iluminando rascunhos de amor
O corpo feito estátua de gelo
Como as conversas banais
Para sempre afinal era demais
Quem sabe um dia
Ou nunca mais
Mais outro fim de tarde cinzento ao relento
A alma vazia, o amor já não chega
É uma casa vazia onde mais ninguém entra
Não, nem o passado me dá chão
E muitas mais madrugadas virão
Seca a fonte da esperança de mais uma dança
Amor, assim te deixo
Apago o incenso, tranco a porta
A frase fecho e não mais mexo
No que não sei responder
9. Na boca de Angola -------------------------------------
letra e música: Aline Frazão
Jukulumesu, meu povo
É um tempo novo
Já deu: uma nova geração nasceu
Um dia foi a libertação
A motivação de uma geração
Mas hoje o bolso pesa mais do que a consciência
E o kumbu que não é teu
Então já deu, já deu
Jukulumesu, meu povo
É um tempo novo
Já deu: uma nova geração nasceu
Olhando a barriga vazia
E a cheia de uma dúzia
Esse quintal também é meu
Não come só a fruta toda
Tipo morcego
Teu argumento já deu
Por isso você usa o medo
Mas já deu
De novo eu digo, meu povo
Basta desse jogo: já deu!
Comida na mesa,
N'dengues na escola,
Pão e liberdade
Na boca de Angola
Jukulumesu, meu povo
É um tempo novo
Já deu: uma nova geração nasceu
Um dia foi a libertação
A motivação de uma geração
Mas hoje o bolso pesa mais do que a consciência
E o kumbu que não é teu
Então já deu, já deu
Jukulumesu, meu povo
É um tempo novo
Já deu: uma nova geração nasceu
Olhando a barriga vazia
E a cheia de uma dúzia
Esse quintal também é meu
Não come só a fruta toda
Tipo morcego
Teu argumento já deu
Por isso você usa o medo
Mas já deu
De novo eu digo, meu povo
Basta desse jogo: já deu!
Comida na mesa,
N'dengues na escola,
Pão e liberdade
Na boca de Angola
10. Amanheceu --------------------------------------------
letra: Ondjaki
música: Aline Frazão
amanhece
vai-se embora a madrugada
já se vê
da janela uma jangada
flutua em paz
traz no corpo um outro tempo
traz no brilho
a esperança do momento
maresia, mansidão
todo o medo morreu
dentro de mim
amanheceu
amanhece
faz de conta que é futuro
pergunta
ao teu deus se tem razão
há quem pense
que sonhar é duro...
faz do escuro da vida
uma canção
maresia, mansidão
todo o medo morreu
dentro de mim
amanheceu
música: Aline Frazão
amanhece
vai-se embora a madrugada
já se vê
da janela uma jangada
flutua em paz
traz no corpo um outro tempo
traz no brilho
a esperança do momento
maresia, mansidão
todo o medo morreu
dentro de mim
amanheceu
amanhece
faz de conta que é futuro
pergunta
ao teu deus se tem razão
há quem pense
que sonhar é duro...
faz do escuro da vida
uma canção
maresia, mansidão
todo o medo morreu
dentro de mim
amanheceu
11. Babel -------------------------------------------------------
letra e música: Aline Frazão
Dizem que a saudade
É algo difícil de explicar
Traduzir não dá
Filha única da lusofonia
No meio da agonia
De desconseguir pôr no papel
O significado do termo
Pilar da torre de babel
E a par de todo o indizível
Invisível, transparente
Descubro que a palavra "Saudade"
Agora tem jeito de gente
A Saudade tem um rosto e é o teu
A Saudade tem um gosto e é o teu
A Saudade mora no lugar
Onde o teu corpo se demora e não vem
A Saudade tem a cor da tua pele
O tom da tua voz
A Saudade não marca hora
Na agenda do dia
Nem vai embora
Dizem que a saudade
É algo difícil de explicar
Traduzir não dá
Filha única da lusofonia
No meio da agonia
De desconseguir pôr no papel
O significado do termo
Pilar da torre de babel
E a par de todo o indizível
Invisível, transparente
Descubro que a palavra "Saudade"
Agora tem jeito de gente
A Saudade tem um rosto e é o teu
A Saudade tem um gosto e é o teu
A Saudade mora no lugar
Onde o teu corpo se demora e não vem
A Saudade tem a cor da tua pele
O tom da tua voz
A Saudade não marca hora
Na agenda do dia
Nem vai embora