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Festival Sons em Trânsito'16

Review/Germany - Bonn 

"Mal locker-fluffig groovend, dann wieder balladesk verzaubernd oder intensiv nach vorne preschend, mit „Ocean Vibes“, mystisch hallendem Gesang und vor allem brillantem Spiel der restlichen Band erfreut das Konzert durch seine Vielschichtigkeit; mitunter windet sich gar ein Semba-Rhythmus, der von einigen als Vorform des brasilianischen Sambas bezeichnet wird, durch das Klang-Geflecht, über dem sich die Texte aufschichten, die Frazão mitunter von angolanischen Dichtern übernommen hat oder für die sie sich in einem Fall von einer Kurzgeschichte des portugiesischen Literaturnobelpreisträgers José Saramago inspirieren ließ. Ein poetischer Auftritt. Und auf jeden Fall ein wunderschöner." 
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http://www.general-anzeiger-bonn.de/news/kultur-und-medien/bonn/Echos-aus-der-Heimat-article3407343.html

Público: 4,5 Estrelas ao novo espectáculo

Nuno Pacheco

"Na última noite de Janeiro de 2014, quando apresentou Movimento no São Luiz, Aline Frazão era já uma promessa segura. Como aqui se escreveu, emanava dela “o brilho de uma estrela urbana com Luanda no horizonte. O futuro, não duvidem, é dela.” Menos de dois anos passados, Aline Frazão confirmou, com novo disco (Insular) e noutro palco (o do Tivoli BBVA, na noite de 14 de Outubro, numa sala confortavelmente preenchida), essa previsão. O seu à-vontade nos palcos reforçou-se, agora com maior segurança, e a expressividade vocal amadureceu, permitindo-lhe novos e sedutores cambiantes no fraseado e nos vocalizos. O que já era digno de nota instalou-se como certeza. Para isso terá contribuído, certamente, a sua rodagem por vários palcos internacionais. Coisa que as suas canções exigem, já que ela canta uma Angola alargada a múltiplos horizontes, com uma atenção urbana ao movimento insular do mundo."
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Ler Mais: https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/aline-luanda-e-o-movimento-insular-do-mundo-1747547

Outubro, em Portugal: Novo Espectáculo

Grande entrevista | Rede Angola

Novo Video//New Video - Susana

Estreia em Moçambique, 8 de Outubro, CCFM

Sold out!

Sold out!

September, October, November...

Jazzmente | Luanda | Agosto

O Sol da Caparica | Festival | Agosto

Concerto na Fundação José Saramago 

Aline Frazão+MCK ao vivo em Luanda

Regresso à Galiza / Teatro Principal 12 de Maio

Capa Novo Jornal / Angola

Deutschland Radio Kultur / Germany (April)

Auf der kleinen schottischen Insel Jura hat die Angolanerin Aline Frazão ihr neues Album "Insular" aufgenommen. Ein neuer Sound sollte hier entstehen, so die Singer-Songwriterin. Herausgekommen ist ein farbenprächtiges Werk zwischen Jazz, Rock, Noise - und akustischer Musik.

"O som do Jacarandá" – Dem Sound des Jacarandá, dieses auch in Angola vorkommenden imposanten Baumes – wird hier mit poetischen Worten und einer westafrikanisch klingenden E-Gitarre nachgespürt. Ansonsten vernimmt man auf Aline Frazãos neuem Album "Insular" nicht allzu viele Echos ihres Heimatkontinents. Die Reise ging – geografisch wie musikalisch – diesmal in ganz andere Gefilde für die kosmopolite Singersongwriterin aus Luanda, die bislang knapp 10 ihrer 27 Lebensjahre in Portugal und Spanien zubringt.

"Nach zwei sehr persönlichen Alben, deren Songs ich schrieb und selbst produzierte, versuchte ich bei diesem dritten, aus meinem eigenen Kopf, meiner Welt herauszukommen, was Ästhetik und Einflüsse angeht. Ich wollte anderes ausprobieren und lernen. Woandershin zu gehen, in den Norden, mit Jazz zu arbeiten und mit Pedro, dem E-Gitarristen  all das war wichtig, um diesen angestrebten neuen Sound zu erzielen. Auch für mich selbst  ich begann, E-Gitarre zu spielen, mit ihren Effekt-Pedalen zu experimentieren, mit all dieser neuen Welt an Klängen und Musik. Ein wirklich interessanter, kreativer Prozess des Lernens und Erkundens einer neuen Soundwelt, die auch der Rockmusik und Noise näher und atmosphärischer ist. Gleichzeitig hat es auch seine Wurzeln in der akustischen Musik, auch der angolanischen, was von jeher meine Bezüge waren."

Keep reading here: http://www.deutschlandradiokultur.de/aline-frazao-insular-die-inselschoenheit-nuetzt-nichts-wenn.2177.de.html?dram:article_id=352003

Brasil Abril/April

"A semana que vinha bem, com três títulos até então conferidos, foi além, teve uma bela surpresa com “Insular”(NorteSul), de Aline Frazão. Encontrei o CD deixado pelo Correio na noite de quinta-feira, sem release, capa (reproduzida ao lado) e encarte convidativos. Botei pra rodar na manhã seguinte, sem mais referências, mas, aos poucos, as canções foram se impondo, fora da MPB ou do pop brasileiro que pensei se tratar.  O sotaque da cantora (que é a compositora de quase todo o repertório) jogava para o outro lado do Atlântico e googleei atrás das infos para ver que se trata de uma angolana radicada em Portugal. Aos28 anos, é  seu terceiro disco, gravado entre Lisboa e a ilha escocesa de Jura. O nome parece português, mas a grande rede conta-me que é palavra vinda do gaélico escocês "dyroy" , “Ilha da Besta”, enquanto as fotos no Google Earth mostram a aridez de Jura, a oitava ilha em tamanho na Escócia, mas a 31º em população.
Geografia à parte e de volta a “Insular”, que recebi na versão em CD portuguesa, ele está chegando ao Brasil nas plataformas de streaming e merece ser conferido. Aline canta e se alterna em violão e guitarra, acompanhadapor um trio básico - o produtor Giles Perring (percussão, guitarra, piano, harmonium e vocais),  Pedro Geraldes (guitarra solo), Simon Edwards (baixo, guitarrón) - e mais quatro eventuais participações de instrumentistas de harpa, clarinete, violão e pratos, 
Em resenha entusiasmada, uma publicação portuguesa compara Aline a Paul Simon e Caetano Veloso, o que fazalgum sentido. Mas, após quatro doses seguidas, dá para abrir o leque, talvez indo de David Byrne a Chico Buarque. Este, por sinal, deve ser o cara dos discos que ela diz ouvirem “Império perdido”:  “Procurei por ti/ nas cartas antigas / na mala da roupa de frio / nos filmes de Bergman / nos discos do Chico”.  Também pelo fato de a letra remeter (e encontrar caminho próprio) à situação narrada/cantada por este em “Trocando em miúdos” (parceria com Francis Hime).
Há muito que ouvir, música inventiva e bem resolvida no estúdio (entre o acústico e o eletrônico) e versos que nos fazem ir atrás de mais informação. O canto-fala de “Langidila”, embalado por groove suave, leva-me à poetisa que usava esse pseudônimo, a também militante, morta durante a guerra pela libertação de Angola, Deolinda Rodrigues - entre as curiosidades, o fato de, no fim dos anos 1950, ela ter estudado sociologia no Brasil (em faculdade metodista em São Bernardo do Campo), período no qual também se correspondeu com Martin Luther King. Mais referências literárias em “O homem que queria um barco”, baseada em texto de José Saramago, tema também insular, de um casal atrás de a “Ilha Desconhecida do mar / Dizem que ela não existe / que as ilhas já estão todas escritas…”:  
Textos evocativos embalados entre a world music e, para nós brasileiros,  a algo mais próximo da canção brasileira do que da portuguesa. Daria para rotular como MPopA, de música pop angolana, mas sem relação com o popular kuduro que tem chegado a nós na última década.  “Sol de novembro”, por exemplo, reluz como delicada bossa nova, voz de Aline e violão e letra que nos transporta à cena cotidiana e “…enquanto a noite cai, é sexta-feira / e no quintal, um semba antigo”. Sim, com “e”, o ritmo que estaria entre os antecedentes de nosso samba. É a penúltima faixa, uma das melhores do disco, que se encerra com outra revelação, “Susana”. Esta é cantada no dialeto kimbundu e com instrumental mais uma vez acústico, violão e clarinete que têm algo de choro. É também a única não assinada por Eliana, e sim por Rosita Palma, que, segundo o resultado da busca, foi a principal compositora de sua irmã, Belita, uma das grandes cantoras angolanas do período colonial e do início da libertação. Aline Frazão, que eu nunca ouvira, não só me encanta como me apresenta a tantos outros nomes e sons e cultura. "
Antônio Carlos Miguel, in G1
Link Original: 
http://g1.globo.com/musica/blog/antonio-carlos-miguel/post/em-meio-convulsao-o-canto-angolano-de-aline-frazao.html

ANGOLA MARÇO/MARCH

"Insular" live in Portugal

Revista blitz | 4 ESTRELAS

EXPRESSO | 5 ESTRELAS

Ipslon (Público) | 4 estrelas

"Para agitar a sua música, Aline Frazão rodeou-se de electricidade, de um homem dos Linda Martini e de um produtor com um estúdio numa remota ilha escocesa. Insular é o magnífico e corajoso registo de uma cantora empenhada em redescobrir-se no risco." - Por Gonçalo Frota

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Em Setembro de 2009, Albert Kuvezin, vocalista dos Yat-Kha, a grande referência do rock gutural originário da região de Tuva, foi levado da sua terra natal, Kyzyl, até à pequena e remota ilha escocesa de Jura. O pequeno território, com uma modesta população de 200 pessoas, conhecido sobretudo por ali ter albergado George Orwell quando este escrevia a sua obra-prima 1984 e pela sua produção de whisky, foi escolhido por duas razões: 1) ali instalou Giles Perring o seu estúdio The Sound of Jura; 2) sendo Kyzyl um dos pontos do planeta que se encontram mais longe do mar, Perring quis criar música com Kuvezin num cenário que funcionasse como um estremecimento no imaginário do músico. Desse choque de paisagens nasceu um encantador disco acústico (não necessariamente baladeiro) intitulado Poets and Lighthouses, lançado no ano seguinte.

Foi esta resumida história que Carlos Seixas, programador do Festival Músicas do Mundo e amigo de Aline Frazão, contou à cantora angolana para lhe sugerir que arriscasse trabalhar com Giles Perring no seu terceiro álbum. Para Aline, a sugestão ajustava-se na perfeição à vontade de esboçar um plano de fuga de si mesma, partindo da conclusão infalível de que já sabia com o que podia contar vindo da sua cabeça e para onde pendiam as suas soluções musicais instintivas, sendo portanto altura de espevitar a criação com algumas participações exteriores e, de preferência, oriundas de mundos afastados do seu. Depois de ouvir o relato entusiasmado de Seixas acerca de Poets and Lighthouses, o contacto com Perring rapidamente conquistou Aline no momento em que o produtor lhe confessou, num primeiro encontro, que não fazia a mais pálida ideia de quem era Cesária Évora. “Achei fantástico porque era mesmo isso que eu procurava – alguém que não tivesse de todo as mesmas referências. Não foi preciso usar muitos argumentos, o campo já estava inclinado para o lado dele”, diz ao Ípsilon.

Ajudou que o destino fosse uma ilha selvagem, pouco paradisíaca, em que uma viagem até ao único pub de Craighouse não alterava a sensação de isolamento. E assim Aline aceitou lançar-se a “um jogo de confiança, em que tudo era muito arriscado”. 

LER MAIS: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/aline-partiu-a-procura-do-seu-norte-1715395

Crítica | Disco Digital | 4 Estrelas

A carta de recomendação de Aline Frazão tem assinatura de Capicua, com quem gravou a apaziguadora «Lupa», e os artigos de opinião contestatários do regime de José Eduardo Santos escritos para o jornal Rede Angola.
Tal como Kalaf, Nástio Mosquito, MCK e o mártir da pátria Ikonoklasta, estamos perante uma voz esclarecida e integrada no mundo ocidental. Angolana de berço, Aline Frazão é uma cidadã viajante embora «Insular» escape à malha do cunho xenófobo da world music.

A discografia cimentada de dois álbuns pesa menos do que a presença já notada na opinião pública, e ainda antes do caso dos presos políticos de Angola. Mais do que o catálogo, foi o discurso a realçá-la e valorizá-la.

«Insular» faz-lhe justiça sem abrir fogo. É um álbum de luta, armado pela palavra e não pelas balas, em que o amor triunfa sobre o combate. A guerra pela arte sobre a arte da guerra.

Gravado na ilha escocesa de Jura, «Insular» tem o peso certo das guitarras de Pedro Geraldes (Linda Martini) a construir mantos sonoros densos sobre o cheiro a terra das poesia pacificadoras de Ana Paula Tavares e Capicua. Sem perder a marca autoral, é música com mundo sem ser música do mundo. 

Um gesto como este só pode reacender a esperança e fazer crer que o amor ofusca o mal. Podia ser gospel mas é Aline Frazão a enterrar o machado de guerra.

Link Original: http://discodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=56416

Literatura Aqui - RTP2 (Portugal)

Ver o programa AQUI.

Insular no Zona Global - TSF (Portugal)

Ouvir o podcast completo AQUI.

Jornal i (Portugal)

Aescolha da ilha de Jura para gravar o terceiro álbum acabou por torná-lo diferente. Mas não foi só a paisagem. 
A produção, os músicos e a guitarra de PedroGeraldes ajudaram. E mais ou menos longe, a música de Aline é sempre angolana.

A cantora e compositora Aline Frazão lança esta sexta-feira o seu terceiro álbum. “Insular” foi produzido por Giles Perring na ilha de Jura, na Escócia, e a guitarra é de Pedro Geraldes. Este novo disco afastou-se um pouco do jazz e acabou por resultar numa linguagem que juntou o frio escocês e o calor africano. 

Temos os discos “Clave Bantu”, “Movimento” e, agora, “Insular”. São três momentos independentes? É uma continuação ou uma ruptura? 
Tem um pouco de ruptura e de continuação. Os três discos têm um lado muito autoral. Isso marca necessariamente uma continuidade porque continuo a ser eu a escrever a maior parte das músicas e a estar muito presente na concepção do disco, na produção e nos arranjos. Os três têm muito de mim, em momentos diferentes, mas este continua a ser eu. De ruptura, também. Não sei o que terá mais. Na verdade, é uma pergunta com diferentes respostas. Há bastante de ruptura porque é uma abordagem diferente a nível sonoro, novos instrumentos. Há um afastar da linguagem do jazz explícita e aproximação ao rock. A entrada de Pedro Geraldes, dos Linda Martini, o sítio onde foi gravado – uma ilha escocesa –, com um produtor inglês, há muitas coisas novas aqui. Há um contacto maior com uma temperatura mais fria, uma forma de fazer música mais a norte, menos a sul. Um jogo de atitudes que acabam por ficar harmoniosas nesse disco, acho.

Os rótulos podem ser injustos, mas acabam por ser uma muleta. Este disco é world music, bossa nova, MPB, jazz, tudo isso ou nada disso?
Simplificaria com a etiqueta de world music. Trata-se de simplificar. Uma cantora e compositora angolana, ligada a Luanda, com os dois discos anteriores talvez mais ligados a Angola.

“Insular” de geografia ou de estado de espírito?
É mais de estado de espírito. O lado geográfico é mais evidente… gravado numa ilha, no norte, mas é mais espírito, tem a ver com as várias definições para ilha, para isso de ser insular, de estar isolado. Isolamento, solidão, individualismo, identidade, colectividade: todos os conceitos são explorados ao longo do disco de forma mais ou menos assumida, sem querer ser pretensiosa com conceitos tão grandes. Acaba por ser o fio condutor do disco.

Continuar a ler: http://www.ionline.pt/481335#close

Diário de Notícias (Portugal)

Ler mais: http://www.dn.pt/artes/interior/aline-frazao-canta-insular-de-olhos-postos-numa-angola-em-ebulicao-4891328.html

Rede Angola: "Insular" faixa a faixa

Novo Jornal (Angola)

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Aline Frazão no programa Bem-Vindos

Aline fala do seu novo disco, "Insular", no magazine Bem-Vindos, na RTP África. Assiste aqui:
http://www.rtp.pt/play/p1824/e210913/bem-vindos

 

Estreia DO MAKING OF DE "INSULAR"

EXCLUSIVO EXPRESSO:
http://expresso.sapo.pt/cultura/2015-10-22-Novo-disco-de-Aline-Frazao.-A-liberdade-em-Angola-e-as-ironias-da-historia

Novo disco de Aline Frazão. A liberdade em Angola e as ironias da história

LER MAIS AQUI: http://expresso.sapo.pt/cultura/2015-10-22-Novo-disco-de-Aline-Frazao.-A-liberdade-em-Angola-e-as-ironias-da-historia

Notícias

ENTREVISTA AO SEMANÁRIO ECONÓMICO (ANGOLA):
http://semanarioeconomico.co.ao/a-arte-e-uma-boa-ferramenta-para-a-intervencao-social/“A arte é uma boa ferramenta para a intervenção social”

Entrevista: Magdala Azulay | Fotos: Dinis Santos

Entrevista: Magdala Azulay | Fotos: Dinis Santos

Em primeira mão, a cantora Aline Frazão, revelou que ‘Insular’ é o resultado do isolamento e da partilha, que vale a pena ser desfrutado. A cantora angolana também falou sobre a sua paixão pela escrita e indica o seu manifesto quanto ao cenário actual, arte versus política.

No dia 31 de Outubro, o público angolano fi ca a conhecer a sua terceira obra discográfica, ‘Insular’, cujo nome remete à ‘ilha’. Existe aqui algum trocadilho?

O nome deste terceiro disco tem a ver, por um lado, com o facto de ter sido feito numa ilha, a pequena Ilha de Jura, na Escócia. É também o nome do primeiro single do álbum, que tenho muita vontade de partilhar com o público, pois é uma boa amostra da nova linguagem musical deste disco, mais eléctrica e até um pouco mais rock. Por outro lado, “Insular”, o conceito, a música, o disco, têm a ver com essa viagem à procura de respostas, a tensão entre o isolamento e a partilha, entre o átomo e o todo, entre a paz e a busca de paz, no contraste entre a ilha privada e paradisíaca e a cidade caótica. Todo o disco acaba por se desenrolar sobre esse pano de fundo.

O que diferencia o ‘Insular’ dos dois anteriores discos?

Há muitas diferenças. Primeiro, existe uma nova linguagem musical. Para mim, foi a descoberta da electricidade, a partir do momento em que comprei uma guitarra eléctrica e comecei a trabalhar com o guitarrista português Pedro Geraldes, um dos membros da banda Linda Martini. A minha música sempre foi mais acústica. Com ‘Insular’ existem novos elementos, que lhe dão uma intensidade diferente. Também há instrumentos novos, como o clarinete e a harpa, que trazem uma sonoridade improvável mas que funcionou como queríamos. E, claro, foi a primeira vez que trabalhei com um produtor musical, o Giles Perring. O facto de ele vir de um mundo musical muito diferente do meu também contribuiu de forma criativa para o resultado.

Nos anteriores discos contou com composições de conceituados escritores e deu melodia a poemas. Numa auto-avaliação, até que ponto estas parcerias definiram a sua forma de cantar?

A literatura angolana é uma das influências da minha própria escrita. Musicar letras inéditas do Ondjaki, Carlos Ferreira “Cassé”, José Eduardo Agualusa e um poema da Alda Lara, foi um privilégio. Cantar as palavras deles era como completar a minha própria mensagem.

Neste novo disco tive a honra de musicar um poema da Ana Paula Tavares e uma letra da rapper portuguesa Capicua. Para além disso, gravei um tema da Rosita Palma, um daqueles clássicos da música angolana que toda a gente conhece. Isso também foi um grande desafio e a realização de um sonho antigo. Sou uma grande fã da Rosita Palma.

Um tanto diferente do que o povo angolano está acostumado, o seu repertório é autoral, no qual 90% das músicas a Aline compõe. No começo teve receio que este conceito não fosse bem recebido?

Não tive receio porque sempre tive claro que a minha proposta teria que ser necessariamente autoral. Eu escrevo, sempre escrevi. Gosto muito de interpretar músicas de outras pessoas, mas para mim, estar no palco e cantar canções minhas, é o que faz mais sentido neste momento. Também acho que é importante estimular a composição de originais em Angola. Estamos aqui para tentar sempre acrescentar algo novo, cada um do seu jeito.

Em 2014, em entrevista para uma publicação eletrônica brasileira chegou a afirmar que tocar em Luanda é difícil para si, tal complexidade surgiu pelo facto de ainda viver no exterior. Actualmente, ainda encontra esta dificuldade?

Tocar em Luanda é sempre e será sempre especial. É a minha cidade, é a minha casa. No público encontro amigos, família, gente que entende melhor as minhas letras e o meu trajecto. Dá sempre um friozinho na barriga mas é também o maior e o melhor presente.

Uma das características mais notáveis nas suas músicas é que elas têm uma interacção cultural dos países lusófonos. Trazem um pouco de Portugal, Cabo Verde e do Brasil. Como avalia a integração, a nível musical, dos países lusófonos?

Se calhar esse quadro de influência lusófona se altera um pouco com o ‘Insular’. Mas sim, olhando para os meus dois primeiros discos, há uma influência da música do Brasil, de Cabo-Verde e do Jazz. Pessoalmente, acho que essa influência tem a ver não só com uma paixão pela música desses país mas também com as minhas conexões familiares a esses lugares. A nível mais geral, a integração musical e cultural entre países lusófonos ainda tem muito para se desenvolver. Conhecemo-nos muito pouco e, hoje em dia, questiono muito mais essa tal de lusofonia.

Sua paixão pela escrita é visível, pois além de compor as suas próprias canções, também redige crónicas semanalmente para o site informativo, ‘Rede Angola’. Como surgiu essa possibilidade?

O convite foi feito pelo Rede Angola. Gostei do projecto e do desafio. O Rede Angola era na altura a promessa, hoje cumprida, com provas dadas, de um novo jornalismo em Angola, com um espaço fresco para as crónicas de opinião. Achei importante participar. Mas é difícil escrever uma crónica por semana, em especial em altura de concertos…

Onde busca inspiração para escrever suas crónicas?

Na actualidade angolana,essencialmente. Há sempre muita coisa a acontecer, este ano então!… Também desfruto muito de escrever sobre cultura, sobre filmes que me marcam, sobre lugares que tenho a oportunidade de visitar.

Acredita que, de certa forma, a cultura e a política misturam-se?

Não se misturam necessariamente. Só se misturam quando o artista tem um olhar crítico sobre o que o rodeia, seu contexto social, questões de justiça. O debate sobre se a arte deve ser sempre política é mais complexo. Na minha opinião, a política está em todo o lado e evitá-la nas nossas obras artísticas acaba por ser um posicionamento também político. A arte é importante porque tem um poder transformador no pensamento. Esse poder deve ser usado com responsabilidade, acima de tudo.

Participou do vídeo intitulado ‘Liberdade Já | Freedom Now’, da autoria da comunidade ‘Liberdade aos Presos Políticos em Angola’, uma página na rede social ‘Facebook’, que luta pela defesa dos jovens detidos sob acusação de tentativa de subversão contra as instituições do Estado. Como caracteriza esse processo?

O vídeo em que participei tinha um objectivo específico: expressar a nossa preocupação pelo respeito pela Liberdade, Lei e pelos valores escritos na Constituição. Foi por isso que dei a cara. Tanto eu como muitos outros cidadãos angolanos, que não entraram nos vídeos mas estamos preocupados com os atropelos legais deste processo. O mais gritante de todos talvez tenha sido o excesso do prazo legal da prisão preventiva prevista na lei. É importante fomentar a transparência e a confiança nas instituições do Estado. Estamos todos na expectativa de que tudo isto se resolva rapidamente e que a lei seja respeitada.

Uma das citações mais marcantes, no vídeo refere: “Defendemos uma Angola onde pensar diferente não seja crime”. Para si, a arte angolana sofre censura?

A arte angolana é, em geral, muito pouco política, com excepção daquela que é assumidamente propagandística e do nicho do hip-hop. É pena, porque a arte é uma boa ferramenta para a intervenção social, para espelhar os problemas do povo, as alegrias e os descontentamentos, as vitórias e as derrotas. Gostaria que houvesse mais arte política porque poderia enriquecer o debate. Ganharíamos todos. E acho que muitos artistas ainda seguem a máxima “xê, menino, não fala política” por medo a incomodar e abalar o status quo.

O escritor angolano José Eduardo Agualusa chegou a afirmar a um periódico português que era “tão criminoso quanto eles. Se o Luaty Beirão e os jovens cometeram algum crime, eu também cometi”. Também se coloca na mesma posição?

Compreendo a ideia do Agualusa quando disse estas palavras. A questão aqui é clarificar qual é o crime de que eles estão a ser acusados e, acima de tudo, quais são as provas que sustentam a acusação, uma acusação demasiado grave. Acho que a reacção da maior parte das pessoas quando soubemos que eles foram presos, enquanto se reuniam para discutir um livro, foi de indignação. Ninguém pode ser preso nem por pensar diferente, nem por criticar o governo, nem por querer mudanças.

Qualquer cidadão tem o direito a exigir mudanças, num estado de direito, nos limites da lei. Não se pode ver isso como uma ameaça, pelo contrário: é sinal de que a sociedade civil está a cumprir o seu papel de querer participar de forma crítica na construção do nosso país. É preciso abrir espaço para o diálogo. Agora, se eles cometeram algum crime, é preciso apresentar as provas e seguir a lei.

Em entrevista ao SE, o artista plástico, Fernando Alvim, afirmou existir uma contradição no que as pessoas do clipe dizem. Pois, afirmam que não existe liberdade, no entanto exprimem-se sobre esse assunto. Quer comentar?

Desconhecia estes comentários e, de facto, não tenho muito a dizer. O que me parece importante é que haja um debate franco sobre a liberdade, sobre a igualdade social, sobre a justiça. Liberdade e justiça para todos e não só para alguns.

Também questionou: “nos últimos dez anos quem foi que lhes deu dinheiro para os concertos e para as obras?!”. Acredita que há quem veja a gravação do vídeo como uma ‘cuspidela no prato que comeu’?

Pessoalmente nunca recebi financiamento do Estado para realizar o meu trabalho. Mas não sou contra, pelo contrário. Acho que uma das funções do Estado é apoiar a cultura. O desenvolvimento de um país mede-se também pelo seu desenvolvimento cultural. Só que, evidentemente, não se pode esperar que um artista deva condicionar as suas opiniões políticas só porque recebeu dinheiro do Estado. Isso seria muito perigoso para qualquer democracia.

 

NoTícias

Aline Frazão volta a Luanda com “Insular”

Foto: Dinis Santos

Foto: Dinis Santos

REDE ANGOLA: http://www.redeangola.info/aline-volta-luanda-com-insular/

Aline Frazão vai lançar no dia 31 de Outubro o seu novo disco, Insular, no Centro de Cultura Brasil-Angola. Durante o evento haverá um showcase acústico com a participação especial de Toty Sa’Med. O músico participa num tema de Rosita Palma que, na voz de Aline Frazão, é uma das grandes surpresas de Insular, diz o comunicado enviado à redacção.

Insular, que surge depois de Clave Bantu e Movimento, consolida definitivamente o espaço de Aline Frazão na nova música angolana. Gravado em Junho na ilha escocesa de Jura, o álbum conta com a produção do britânico Giles Perring e com a participação do guitarrista português Pedro Geraldes.

No mesmo comunicado, Insular é descrito como o lugar onde se fundem “de forma imprevista e surpreendente, acústica e aventureirismo eléctrico, calor do sul e paisagens sonoras do norte, num processo de quase mapeamento, onde Aline Frazão acaba por encontrar um espaço que é só seu e das extraordinárias canções que escreve ou das palavras de Ana Paula Tavares e da Capicua a que dá vida”.

O álbum será lançado em Portugal em meados de Novembro, pela Valentim de Carvalho, e tem edição prevista para outros países da Europa.

BLOG

Lisboa, 13 de outubro de 2015

Bem-vindos, bem-vindas ao meu novo website. :)
Aqui serão publicadas todas as novidades relativas ao meu novo disco "Insular", video, datas de concertos e outras notícias. Estejam por perto.
Aline

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